- Vamos imaginar que estamos num lugar onde vemos ovelhas pastarem e beija-flores passeando pelas rosas lascivas, sedentas do beijo do pequeno amante. O céu está tristemente azul, as nuvens cansadas, passeiam pelo céu vagarosamente, como numa marcha fúnebre. Os animais todos calmos, mas uma calma melancólica, que torna a atmosfera lenta.
O lago estaria como um espelho imóvel se não fossem os patos a riscarem o espelho com seu rastro suave. As árvores todas silenciosas, mal balançam seus galhos, pois o vento também está preguiçoso.
- O que faremos diante dessa cena tão mórbida? - pergunta Clara a Augusto, que a olha ternamente. Ele então acaricia seu rosto e diz suavemente.
- Clara querida, vamos andar pela relva, molhar os pés nas calmas águas do lago, alimentar os patos e apreciar a tristeza azul desse céu. Vamos caminhar como as nuvens, vagarosamente, porque não há pressa, meu bem. O tempo é nosso...
E Clara então levantou-se e puxou Augusto pelas mãos e disse: "Vamos", e começaram a caminhar pelas movimentadas e barulhentas ruas do centro de São Paulo.
domingo, 26 de abril de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Despertar de uma ilusão
Às vezes um tempo de silêncio e recolhimento sirva para muitas coisas. Sirva principalmente para você se dar conta que vive rodeada de sanguessugas, oportunistas que querem de todas as maneiras prejudicá-lo.
Isso não é nenhuma novidade, mas somente acordamos para isso quando passamos por um momento de interiorização.
Talvez seja completamente saudável que todos possam passar por esse momento algumas vezes na vida para acordar desse sonho imbecil de que tudo é cor-de-rosa, que a felicidade existe e que, quando morrer, anjinhos peladinhos irão ao seu encontro no céu.
Não meu bem, não existe céu, muito menos o mundo é cor-de-rosa; na verdade é cinza.
Isso não é nenhuma novidade, mas somente acordamos para isso quando passamos por um momento de interiorização.
Talvez seja completamente saudável que todos possam passar por esse momento algumas vezes na vida para acordar desse sonho imbecil de que tudo é cor-de-rosa, que a felicidade existe e que, quando morrer, anjinhos peladinhos irão ao seu encontro no céu.
Não meu bem, não existe céu, muito menos o mundo é cor-de-rosa; na verdade é cinza.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Olá Amigos
Venho rapidamente comunicar que, por estar sem acesso à internet em minha residência, não estarei postando com tanta frequência.
Porém, peço que sempre retornem a meu espaço, caso queiram reler alguns de meus contos e não deixem de postar suas opiniões e de debater, ainda que não possa responder prontamente.
Muito obrigada pelas visitas e pelo comentários, e peço desculpas para aqueles que comentam, pois não poderei responder imediatamente, por enquanto.
Até breve, e "dias melhores virão".
Porém, peço que sempre retornem a meu espaço, caso queiram reler alguns de meus contos e não deixem de postar suas opiniões e de debater, ainda que não possa responder prontamente.
Muito obrigada pelas visitas e pelo comentários, e peço desculpas para aqueles que comentam, pois não poderei responder imediatamente, por enquanto.
Até breve, e "dias melhores virão".
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Prisão
Aprisionada por mentes controladoras, que pensam ser os donos da verdade absoluta, que julgam sem nenhum escrúpulo pessoas completamente inocentes e se quer deixam espaço para as mesmas se defenderem.
Pessoas completamente estúpidas que pensam poder prender para sempre a vida de uma pessoa, e assim trancafiando sonhos e projetos que poderiam ser colocados em prática.
Infelizmente, para eles, não durará para sempre.
Sinto muito senhores se o intento era manter presa uma mente livre.
Não será possível por muito tempo.
Porém, enquanto o fazem possível, aguardo o momento em que me libertarei dessas amarras moralistas e ignorantes para enfim viver.
Por enquanto, somente aguardo.
Pessoas completamente estúpidas que pensam poder prender para sempre a vida de uma pessoa, e assim trancafiando sonhos e projetos que poderiam ser colocados em prática.
Infelizmente, para eles, não durará para sempre.
Sinto muito senhores se o intento era manter presa uma mente livre.
Não será possível por muito tempo.
Porém, enquanto o fazem possível, aguardo o momento em que me libertarei dessas amarras moralistas e ignorantes para enfim viver.
Por enquanto, somente aguardo.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Passado
O passado já diz pelo seu próprio nome: algo, situação ou alguém que ficou para trás, que não importa mais no momento atual. A necessidade de se preocupar com o passado é algo completamente descartável, pois se isso acontecer perdemos os bons momentos presentes e os que virão futuramente.
A experiência é algo que não podemos subestimar, pois de tudo podemos tirar algo de bom, mesmo dos momentos ruins. Agarrar-se à situação anteriormente vivida é no mínimo saudosismo exagerado, e já passamos muito da época em que se estimava esse tipo de comportamento; caso isso venha a persistir em nossos dias, seremos sucumbidos pelo tempo e chegará o dia em que lamentaremos por ter perdido esse precioso tempo lamuriando sobre algo irremediável.
O futuro é belo pelo simples fato de ele ser imprevisto, mesmo que existam meios para podermos pelo menos saciar a ânsia de precipitar as revelações vindouras. Ainda que o desejo de voltar atrás seja pertinente, o que seria futuro virá a ser passado; o que poderia ser planejado não poderá mais o ser pois perderam-se os dias. Desperdiçar novos horizontes é suicídio, viver de um passado, mesmo este sendo ainda recente, é matar as novas esperanças.
O relógio não pára, o tempo passa e ficaremos para trás com essa inquietação inútil de querer retroceder. Não há mais razão para lamentações. Deixemos os fantasmas num baú e tranquemos-os com a chave dentro, pois estes não nos trarão nada de útil senão frustrações e arrependimentos.
A experiência é algo que não podemos subestimar, pois de tudo podemos tirar algo de bom, mesmo dos momentos ruins. Agarrar-se à situação anteriormente vivida é no mínimo saudosismo exagerado, e já passamos muito da época em que se estimava esse tipo de comportamento; caso isso venha a persistir em nossos dias, seremos sucumbidos pelo tempo e chegará o dia em que lamentaremos por ter perdido esse precioso tempo lamuriando sobre algo irremediável.
O futuro é belo pelo simples fato de ele ser imprevisto, mesmo que existam meios para podermos pelo menos saciar a ânsia de precipitar as revelações vindouras. Ainda que o desejo de voltar atrás seja pertinente, o que seria futuro virá a ser passado; o que poderia ser planejado não poderá mais o ser pois perderam-se os dias. Desperdiçar novos horizontes é suicídio, viver de um passado, mesmo este sendo ainda recente, é matar as novas esperanças.
O relógio não pára, o tempo passa e ficaremos para trás com essa inquietação inútil de querer retroceder. Não há mais razão para lamentações. Deixemos os fantasmas num baú e tranquemos-os com a chave dentro, pois estes não nos trarão nada de útil senão frustrações e arrependimentos.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
O desperdício - artifício usado por pessoas sem expectativa
Sentada em minha mesa de trabalho assisto a uma cena completamente assustadora: uma senhora que, em pleno sol das duas horas da tarde de uma terça-feira quente como o próprio inferno, lava as grades de seu portão esfregando-o com uma bucha de lavar louça, embebida em detergente e com a mangueira na outra mão, de maneira que possa enxaguar as grades de seu lindo e querido portão enquanto esfrega-o novamente, sôfreguidamente, frenéticamente, até que o mesmo brilhe, branco como as nuvens fofinhas que pairam sobre nós, com certeza perplexas ao se darem conta da estupidez humana. Sei que em algum outro relato devo ter mencionado a "estupidez humana", porém não tive como não recorrer a esse termo, pois nenhum definiria melhor essa situação.
A senhora, no alto dos seus 60 anos, deve ser mais uma dona de casa frustrada e cheia de netos pentelhos e mal-educados - que ela como toda boa avó deve ter contribuído, mimando as pestes quando na verdade deveria educá-los na base do chicote - e como nada tem a fazer a não ser aturar os diabinhos quando as mães dos mesmos estão gastando o dinheiro de seus maridos num shopping, comprando qualquer coisa somente para satisfazer a serpente consumidora que lhes come as entranhas, ao invés de poupar a velha mãe de um papel que deveria ser desempenhado por elas: o papel de mãe.
Agora a senhora fecha o portão limpo e cheiroso - que ela deixou com sua buchinha de lavar louça e seu detergente, acompanhado de jatos de água jogados sem piedade nenhuma, pois o que mais importa na vida que ter o seu portão limpo? - e vai pegar em sua despensa uma escova de dentes usada para limpar as gretas do seu portão. As gretas. O que na verdade viria a ser "gretas"? Será uma daquelas palavras que escutamos de nossas mães desde o útero, e que nos acompanhará até o túmulo, mesmo sabendo que elas não existem? Enfim, não vamos dissertar sobre isso leitor, pois seria preciso muitas horas. Ficamos somente nas gretas, as gretas do portão da senhorinha que não tem mais o que fazer a não ser desperdiçar água e matar a sua falta de perspectivas, os seus anos mortos por um desejo imposto, por uma causa que nem ela mesma defendia. Quem sabe tudo o que fora feito de sua vida se resuma naquela frase gasta: "Porque Deus quis assim".
É minha senhora, Deus quis que casasse, tivesse filhos - no caso filhas - estas que lhe deram mais filhos; quis que esfregasse cuecas e meias sujas, que aturasse a obrigação de se submeter todas as noites àquela desculpa da enxaqueca, ou quando inevitável aturasse tudo como se fosse o seu dever. Quis que jogasse fora toda a sua vida, seus sonhos, suas perspectivas em função de algo que nem acreditava. Agora nada mais poderá ser feito, a única coisa que se há de fazer é assistir à essa cena deprimente. O desperdício é justificado, pois ela também teve sua vida inteira desperdiçada como a água que escorre bueiro abaixo. Nada mais justo.
A senhora, no alto dos seus 60 anos, deve ser mais uma dona de casa frustrada e cheia de netos pentelhos e mal-educados - que ela como toda boa avó deve ter contribuído, mimando as pestes quando na verdade deveria educá-los na base do chicote - e como nada tem a fazer a não ser aturar os diabinhos quando as mães dos mesmos estão gastando o dinheiro de seus maridos num shopping, comprando qualquer coisa somente para satisfazer a serpente consumidora que lhes come as entranhas, ao invés de poupar a velha mãe de um papel que deveria ser desempenhado por elas: o papel de mãe.
Agora a senhora fecha o portão limpo e cheiroso - que ela deixou com sua buchinha de lavar louça e seu detergente, acompanhado de jatos de água jogados sem piedade nenhuma, pois o que mais importa na vida que ter o seu portão limpo? - e vai pegar em sua despensa uma escova de dentes usada para limpar as gretas do seu portão. As gretas. O que na verdade viria a ser "gretas"? Será uma daquelas palavras que escutamos de nossas mães desde o útero, e que nos acompanhará até o túmulo, mesmo sabendo que elas não existem? Enfim, não vamos dissertar sobre isso leitor, pois seria preciso muitas horas. Ficamos somente nas gretas, as gretas do portão da senhorinha que não tem mais o que fazer a não ser desperdiçar água e matar a sua falta de perspectivas, os seus anos mortos por um desejo imposto, por uma causa que nem ela mesma defendia. Quem sabe tudo o que fora feito de sua vida se resuma naquela frase gasta: "Porque Deus quis assim".
É minha senhora, Deus quis que casasse, tivesse filhos - no caso filhas - estas que lhe deram mais filhos; quis que esfregasse cuecas e meias sujas, que aturasse a obrigação de se submeter todas as noites àquela desculpa da enxaqueca, ou quando inevitável aturasse tudo como se fosse o seu dever. Quis que jogasse fora toda a sua vida, seus sonhos, suas perspectivas em função de algo que nem acreditava. Agora nada mais poderá ser feito, a única coisa que se há de fazer é assistir à essa cena deprimente. O desperdício é justificado, pois ela também teve sua vida inteira desperdiçada como a água que escorre bueiro abaixo. Nada mais justo.
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