quinta-feira, 29 de abril de 2010

PÊNIS JÁ!

Pênis Já é para você que reivindica o troféu fálico do poder de tanto exercer o papel masculino: no setor amoroso, quando alguém tem que dar a cara a tapa, as mulheres estão fazendo este serviço que antes era uma prioridade masculina. E os homens, estão esperando na torre, com suas tranças de Rapunzel, o Príncipe Encantado para salvá-los e dar-lhes aquele beijo de conto de fada...

... que singelo!

Porntanto, reivindiquemos o Pênis, pois estamos aptas teóricamente para este papel masculino!

Pênis Já!

sábado, 24 de abril de 2010

Segura na mão do Véio!

Ribanceira abaixo define muito bem minha experiência etílica. Comecei a noite pegando na mão do Véio - o barreiro - pensando que ele não me abandonaria; doce ilusão. O Véio, ainda que companheiro, às vezes nos coloca em situações e estados de consciência que ultrapassam os limites humanos. É a primeira escorregada na banana e a ribanceira você já não desce mais andando; desce rolando, caindo, gaguejando, vomitando.

Sim, dormi de bêbada. Dormi um sono pesado de quem esgotou todas as forças e se quer consegui acordar com os chamados de meus amigos. Os amigos, inclusive, são indispensáveis nessas horas de descontrole – quando o Veio já soltou de sua mão há algum tempo, e ainda deu um empurrãozinho, só para sacanear.

Depois desse empurrão amigo, vem outro companheiro. Este recebe nomes variados, uma vez que depende da sonoridade com que cada um se identifica. Ele pode ser o Raul, Hugo, Juca, João, José, Jesus, enfim. Chamei todos eles e ainda uma galera.

Se eu lembro de tudo o que ocorreu ontem? Não. Mas o Veio, amigo do peito, veio me contando na viagem, por flashes, os ocorridos. Ele nunca conta tudo! O Veio não fará um resumo detalhado do percurso, contanto tim-tim por tim-tim. Sempre por partes, como relâmpagos, as reminiscências dão o ar de sua graça, e junto com elas o rosto sorridente do Veio. Nessa hora, confesso que tive um ímpeto de assassinar esse Veio pilantra!

Você, amigo leitor, deve estar se perguntando: “Qual a importância desta narrativa”? , ou ainda: “Tá, e daí”? Pode ser que isso realmente não venha lhe acrescentar nada erudito, fino ou intelectual – e caso tenha se sentido frustrado, vou lhe dar um conselho: Amigo, segura na mão do Veio!

terça-feira, 23 de março de 2010

Como é difícil!

Como é difícil viver! Se soubesse antes de embarcar no oceano da vida, todas as suas dificuldades e fardos, teria pulado no mar e morrido afogada.

Os tripulantes desta nau imensa - que é o mundo - são complicados. Existe uma conduta correta para agir com eles, existe uma linguagem específica, uma máscara. Mesmo que você não queira usá-la, eles o obrigam, pois é somente assim que podem conceber o mundo ao seu redor, as pessoas, os relacionamentos.

Você precisa ser agradável, sociável, amável, e mesmo que não consiga, você deve mesmo assim, a despeito de todos os sacrifícios, ser hipócrita. Você precisa ser correto, mesmo que esconda toda a sua sujeira debaixo do tapete da consciência. Você precisa ter dinheiro, pois só ele vale alguma coisa neste mundo.

Não seja verdadeiro. A verdade dói, e ninguém gosta de sofrer com a verdade; preferem as carícias doces da mentira ao tapa ardido, ao balde de água fria, ao soco no estômago.

Ainda continuo tripulante dessa nau maluca, cheia de excentricidades e estandartes. Farei diferente, não me jogarei no mar. Prefiro continuar à bordo para ver até onde vai, qual será o seu último porto. Ou se todos morrerão num naufrágio.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Essas palavras são pela MULHER.

A mulher sofreu durante toda a história do homem, a repressão e a humilhação por não carregar consigo o troféu fálico do poder: o pênis. Desde a infância, é ensinado à menina o pudor que ela deve ter com sua sexualidade, que na maioria das vezes é tratada como uma vergonha, ou algo que para ela simplesmente é amortecido, enquanto o menino é incentivado a cada vez mais cedo estimular e exibir sua virilidade.

No livro O Segundo Sexo, Simone de Beauvoir aborda desde a mais tenra infância as diferenças que se estabelecem entre a criação do menino e da menina, quando em determinada fase da infância estes são devidamente definidos em gênero masculino e feminino.

A menina é aquela que permanece, quase para sempre, sob os olhos da mãe, sob sua repressão e sob suas imposições - ela não tem vontade própria, sua liberdade é condicionada ao coletivo, às tarefas domésticas que contrai. Há relatos no livro de Simone de meninas que, não tendo informação alguma acerca do sexo, de como é dado o nascimento de um bebê, trazem consigo marcas profundas. São as marcas psicológicas que as mulheres carregavam devido a uma situação de completa submissão e descaso.

Embora hoje a situação da mulher seja outra, e a diferença da situação feminia descrita no O Segundo Sexo seja nítida, ainda a mulher sofre com sua condição. Desde cedo a menina é tratada como um animalzinho engaiolado, que não tem o direito de ir e vir: a liberdade feminina é algo que não foi conquistado por muitas. O homem é livre, sempre foi e há uma grande disparidade se compararmos a nossa condição com a liberdade masculina.

O que a mulher quer não é tomar o poder e formar uma sociedade na qual todos os homens seriam escravizados, onde despejaríamos todo o nosso ódio e rancor em suas cabeças para sempre. NÃO QUEREMOS VINGANÇA, QUEREMOS IGUALDADE.

Conseguimos trabalho, porém ao chegar em casa a mulher enfrenta uma outra jornada, que é o trabalho doméstico que sempre foi considerado "coisa de mulher". Embora o homem reconheça a capacidade que a mulher tem de fazer tudo o que ele faz, infelizmente vive num mundo bipartido, onde nele existem as "coisas de homem" e as "coisas de mulher".

A lei já mudou, mas o que resiste é o comportamento do homem diante de nós, mulheres.

terça-feira, 2 de março de 2010

Sim, é uma crítica!

Vemos que a cada dia cresce a demanda de professores de filosofia, no entanto nem todos aqueles que se dizem "filósofos" são dignos de serem assim chamados. Na maioria das vezes são picaretas, pessoas com mentes pobres e pequenas.

Quem é você, oh Filósofo, oh Sábio das Montanhas do Oriente, para dizer que mulher "só faz pergunta cretina"? Que tipo de "filósofo" é você que faz esse tipo de generalização? Que usa essa máxima completamente machista?

Sinto-me completamente enojada em saber que um bossal desses é um professor de filosofia. Realmente fico muito triste em constatar que passou num vestibular para filosofia, uma criatura com um espírito tão pobre. E fico mais indignada ainda em saber que isso ocorreu numa sala de aula de um curso de filosofia, e que essas idiotices foram ditas por um ser que, infelizmente, tenho que chamar de professor.

Com essa postura você irá longe, Sábio das Montanhas do Oriente. E espero que vá mesmo, para bem longe!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Resíduos



Andando pelo lago vejo um grupo de humanos se divertindo. Em bandos, afirmam sua existência com seus ruídos característicos, interferem na natureza jogando seus resíduos no gramado.
Olho para o lago e vejo duas garrafas de plástico boiando como barcos  à deriva. Mais tarde, vejo alguns humanos brincarem com as mesmas garrafas, como se fosse bolas, jogando para cima, rindo, gritando, vociferando como bestas alienadas. 

Ando mais um pouco, sento perto de uma barraquinha. Ao meu lado se encontrava mais um bando de humanos reunidos, agredindo a paisagem com sua instintiva necessidade de afirmarem sua virilidade, bebendo álcool e comendo cadáveres queimados numa churrasqueira improvisada. Ouviam uma pseudomúsica que falava somente sobre um mesmo assunto: o amor. 


Sim, eles acreditam que aquilo que eles conhecem seja mesmo esse tal de amor.

Saio de perto dos humanos, atravesso a rua e sento no gramado mais distante. Começo a pensar sobre a capacidade dos humanos de consumirem lixo cultural. Entendo o porquê após lembrar das duas garrafas boiando no lago. Uma era azul e a outra verde. Um colorido que nada ornamenta o local, mas que serve para entreter os humanos, que brincavam com o mesmo lixo que eles mesmo depositaram na água, com uma felicidade agressiva.

Definitivamente os humanos são resíduos de uma geração infeliz, que não satisfeitos produzem mais resíduos. E estes mesmos resíduos tornam-se lúdicos aos olhos dos pobres humanos.


- Olha, um jet ski! Que legal! - grita um dos humanos que antes se divertia com as garrafas plásticas.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Coincidências

 
 As coincidências são espantosas. Nos deparamos com elas e simplesmente nos espantamos perante a necessidade de serem singulares, firmes e etéreas.
São singulares, pois a chance de ocorrer novamente é mínima e caso não as registramos ficarão para sempre na memória, correndo o risco de tornarem-se mitos, estórias ou pura enganação.
São firmes, pois acontecem de uma maneira brusca, ridiculamente precisa e idiotamente impactante. 
São etéreas, fogem de nossas vistas como areia das mãos.

Não diria que todas as coincidências são boas, ou ruins. Na verdade não são nem boas, nem ruins. 
São coincidências.