A mulher sofreu durante toda a história do homem, a repressão e a humilhação por não carregar consigo o troféu fálico do poder: o pênis. Desde a infância, é ensinado à menina o pudor que ela deve ter com sua sexualidade, que na maioria das vezes é tratada como uma vergonha, ou algo que para ela simplesmente é amortecido, enquanto o menino é incentivado a cada vez mais cedo estimular e exibir sua virilidade.
No livro O Segundo Sexo, Simone de Beauvoir aborda desde a mais tenra infância as diferenças que se estabelecem entre a criação do menino e da menina, quando em determinada fase da infância estes são devidamente definidos em gênero masculino e feminino.
A menina é aquela que permanece, quase para sempre, sob os olhos da mãe, sob sua repressão e sob suas imposições - ela não tem vontade própria, sua liberdade é condicionada ao coletivo, às tarefas domésticas que contrai. Há relatos no livro de Simone de meninas que, não tendo informação alguma acerca do sexo, de como é dado o nascimento de um bebê, trazem consigo marcas profundas. São as marcas psicológicas que as mulheres carregavam devido a uma situação de completa submissão e descaso.
Embora hoje a situação da mulher seja outra, e a diferença da situação feminia descrita no O Segundo Sexo seja nítida, ainda a mulher sofre com sua condição. Desde cedo a menina é tratada como um animalzinho engaiolado, que não tem o direito de ir e vir: a liberdade feminina é algo que não foi conquistado por muitas. O homem é livre, sempre foi e há uma grande disparidade se compararmos a nossa condição com a liberdade masculina.
O que a mulher quer não é tomar o poder e formar uma sociedade na qual todos os homens seriam escravizados, onde despejaríamos todo o nosso ódio e rancor em suas cabeças para sempre. NÃO QUEREMOS VINGANÇA, QUEREMOS IGUALDADE.
Conseguimos trabalho, porém ao chegar em casa a mulher enfrenta uma outra jornada, que é o trabalho doméstico que sempre foi considerado "coisa de mulher". Embora o homem reconheça a capacidade que a mulher tem de fazer tudo o que ele faz, infelizmente vive num mundo bipartido, onde nele existem as "coisas de homem" e as "coisas de mulher".
A lei já mudou, mas o que resiste é o comportamento do homem diante de nós, mulheres.
sexta-feira, 12 de março de 2010
terça-feira, 2 de março de 2010
Sim, é uma crítica!
Vemos que a cada dia cresce a demanda de professores de filosofia, no entanto nem todos aqueles que se dizem "filósofos" são dignos de serem assim chamados. Na maioria das vezes são picaretas, pessoas com mentes pobres e pequenas.
Quem é você, oh Filósofo, oh Sábio das Montanhas do Oriente, para dizer que mulher "só faz pergunta cretina"? Que tipo de "filósofo" é você que faz esse tipo de generalização? Que usa essa máxima completamente machista?
Sinto-me completamente enojada em saber que um bossal desses é um professor de filosofia. Realmente fico muito triste em constatar que passou num vestibular para filosofia, uma criatura com um espírito tão pobre. E fico mais indignada ainda em saber que isso ocorreu numa sala de aula de um curso de filosofia, e que essas idiotices foram ditas por um ser que, infelizmente, tenho que chamar de professor.
Com essa postura você irá longe, Sábio das Montanhas do Oriente. E espero que vá mesmo, para bem longe!
Quem é você, oh Filósofo, oh Sábio das Montanhas do Oriente, para dizer que mulher "só faz pergunta cretina"? Que tipo de "filósofo" é você que faz esse tipo de generalização? Que usa essa máxima completamente machista?
Sinto-me completamente enojada em saber que um bossal desses é um professor de filosofia. Realmente fico muito triste em constatar que passou num vestibular para filosofia, uma criatura com um espírito tão pobre. E fico mais indignada ainda em saber que isso ocorreu numa sala de aula de um curso de filosofia, e que essas idiotices foram ditas por um ser que, infelizmente, tenho que chamar de professor.
Com essa postura você irá longe, Sábio das Montanhas do Oriente. E espero que vá mesmo, para bem longe!
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Resíduos
Andando pelo lago vejo um grupo de humanos se divertindo. Em bandos, afirmam sua existência com seus ruídos característicos, interferem na natureza jogando seus resíduos no gramado.
Olho para o lago e vejo duas garrafas de plástico boiando como barcos à deriva. Mais tarde, vejo alguns humanos brincarem com as mesmas garrafas, como se fosse bolas, jogando para cima, rindo, gritando, vociferando como bestas alienadas.
Ando mais um pouco, sento perto de uma barraquinha. Ao meu lado se encontrava mais um bando de humanos reunidos, agredindo a paisagem com sua instintiva necessidade de afirmarem sua virilidade, bebendo álcool e comendo cadáveres queimados numa churrasqueira improvisada. Ouviam uma pseudomúsica que falava somente sobre um mesmo assunto: o amor.
Sim, eles acreditam que aquilo que eles conhecem seja mesmo esse tal de amor.
Saio de perto dos humanos, atravesso a rua e sento no gramado mais distante. Começo a pensar sobre a capacidade dos humanos de consumirem lixo cultural. Entendo o porquê após lembrar das duas garrafas boiando no lago. Uma era azul e a outra verde. Um colorido que nada ornamenta o local, mas que serve para entreter os humanos, que brincavam com o mesmo lixo que eles mesmo depositaram na água, com uma felicidade agressiva.
Definitivamente os humanos são resíduos de uma geração infeliz, que não satisfeitos produzem mais resíduos. E estes mesmos resíduos tornam-se lúdicos aos olhos dos pobres humanos.
domingo, 31 de janeiro de 2010
Coincidências
As coincidências são espantosas. Nos deparamos com elas e simplesmente nos espantamos perante a necessidade de serem singulares, firmes e etéreas.
São singulares, pois a chance de ocorrer novamente é mínima e caso não as registramos ficarão para sempre na memória, correndo o risco de tornarem-se mitos, estórias ou pura enganação.
São firmes, pois acontecem de uma maneira brusca, ridiculamente precisa e idiotamente impactante.
São etéreas, fogem de nossas vistas como areia das mãos.
Não diria que todas as coincidências são boas, ou ruins. Na verdade não são nem boas, nem ruins.
São coincidências.
sábado, 30 de janeiro de 2010
Plante uma flor
Plante uma flor, antes que seja tarde...
...para admirar.
Plante uma flor antes que seja tarde...
... para plantar.
Plante uma flor antes que seja tarde...
... para ver.
Plante uma flor antes que seja tarde...
...para florescer.
...para admirar.
Plante uma flor antes que seja tarde...
... para plantar.
Plante uma flor antes que seja tarde...
... para ver.
Plante uma flor antes que seja tarde...
...para florescer.
sábado, 19 de dezembro de 2009
Hoje é um novo dia
É só a Rede Globo colocar aquela vinheta sem-vergonha de final de ano, que "as pessoas" realmente acreditam que "nossos sonhos serão verdade".
Hoje não é um novo dia, de um novo tempo que começou. Não há nada de novo, a não ser os milhares - ou milhões - que passarão esse fim de ano sem ter o que comer, enquanto os pseudo-burgueses enchem a pança de peru, chester ou qualquer outro tipo de frango envenenado de anabolizantes.
Neste novo dia, as alegrias não serão de todos, mesmo porque uma pequeníssima parcela da população mundial conhece essa palavra - e muito menos no plural.
Os nossos sonhos, meu amigo, não serão verdade, e o futuro não começa no fim de cada ano.
O futuro é o amanhã; ontem já passou e hoje é o presente.
Portanto, a festa até pode ser sua, mas não conte que será nossa, e muito menos de quem quiser, quem vier.
FELIZ 2010!
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
O Prazer
Oh prazer, não me deixes novamente sozinho.
Senti-lo para sempre,
Até o fim de minha existência,
É o que almejo - mas não consigo.
Não me iludas com essa falsa sensação
De ser perene, pois mesmo que saiba
Que tu és efêmero,
Sempre arriscarei tudo para ir ao teu encontro
Mesmo que seja passageiro,
Mesmo que seja fugaz
Mesmo que seja somente por um curto momento.
Prazer
Sensação de estabilidade nessa selva sem dono
Na qual estamos sós.
Não temos nada a que possamos
Pelo menos nos agarrar com uma fé cega
- a própria fé é ilusória.
Precisamos sempre saciar a fome
De nossa serpente, que nos come
As entranhas diariamente
E sem cessar.
E a cada vez que nos submetemos
À fúria da vontade, pensamos
Que chega ao fim...
Mas que fim se essa vontade
É aquilo que nos invade sem pedir,
Querendo tudo de nós,
Mesmo que não seja possível dar.
O impossível
Não existe para a constante
Sede de prazer da serpente.
Senti-lo para sempre,
Até o fim de minha existência,
É o que almejo - mas não consigo.
Não me iludas com essa falsa sensação
De ser perene, pois mesmo que saiba
Que tu és efêmero,
Sempre arriscarei tudo para ir ao teu encontro
Mesmo que seja passageiro,
Mesmo que seja fugaz
Mesmo que seja somente por um curto momento.
Prazer
Sensação de estabilidade nessa selva sem dono
Na qual estamos sós.
Não temos nada a que possamos
Pelo menos nos agarrar com uma fé cega
- a própria fé é ilusória.
Precisamos sempre saciar a fome
De nossa serpente, que nos come
As entranhas diariamente
E sem cessar.
E a cada vez que nos submetemos
À fúria da vontade, pensamos
Que chega ao fim...
Mas que fim se essa vontade
É aquilo que nos invade sem pedir,
Querendo tudo de nós,
Mesmo que não seja possível dar.
O impossível
Não existe para a constante
Sede de prazer da serpente.
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