sexta-feira, 22 de agosto de 2008

A verdadeira liberdade

Sou eu, a excêntrica pessoa a exibir suas qualidades pessoalmente inventadas.

O ego que me controla fazendo com que creia em uma existência genial.

Existência esta que mal sei o seu propósito, a sua razão.

Se é que existe razão para um ser como este,

Farto de esperar, farto de pensar,

Farto de crer que as mudanças virão,

Que as flores desaborcharão... que minha vida será enfim algo sólido,

E não essa maré incerta e cheia de medos,

De receios, de cuidados, de omissões, submissões...

... Medo. O medo de morrrer, o medo de sair para o mundo,

Medo este que me foi imposto por mentes controladoras e obtusas,

Que jamais enchergarão além dos seus curtos e breves horizontes.

Quero me livrar dessa carcaça de obstáculos por mim impostos,

Quero ser livre não só de cobranças e imposições,

Pois essa liberdade logo se alcança.

Quero a minha liberdade,

Ser livre desses pensamentos,

Dessa jaula na qual eu construí para ser minha morada.

Quero jogar fora a chave desse calabouço,

Soltar-me das correntes e finalmente estar pronta,

Solta, leve como uma borboleta a dançar ao vento.

Enfim terei as respostas de minhas perguntas,

Terei o que mais almejo.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Agonia

Numa bela e quente manhã de inverno chegam os carrascos munidos com suas serras elétricas, seus machados, suas almas imundas e incoscientes. Nada posso fazer a não ser esperar... esperar que as machadadas sejam breves, que as serras sejam velozes, que a morte venha rápido.

A covardia alcança níveis incomparáveis, pois matar um ser completamente inerte que não pode se quer gemer de dor é a maior das covardias. Vejo meus braços, antes robustos e fortes, sendo carregados como entulhos para uma caçamba imunda de um carroção municipal. As folhas antes verdes, agora não passam de lixo que será varrido pela senhora numa atitude estúpida e alienada de se livrar da árvore que antes lhe dava sombra nos dias quentes.

Olho para mim, agora sou um toco, um pedaço do que antes era um imenso tronco que sustentava uma vida que agora é jogada no lixo por animais irracionais. Até mesmo o cão, inocente e impulsivo, quando urinava em meu tronco não era tão irracional quanto as serras e os machados administrados por paus-mandados de uma besta capitalista e sem escrúpulos, que quer transformar em deserto todas as ruas, praças, parques.

Um dia todos chorarão de arrependimento por cada árvore cortada, pois o caos não tardará. E espero que venha o quanto antes.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Clamando à Chuva

Chuva lave minha alma podre, minha mente de pensamentos impuros e obscenos, meu corpo de malícia e promiscuidade. Leve embora essa culpa que me castiga, esse remorso inútil, esse sentimento de impotência e depreciação que faz de mim uma juíza cruel e irredutível, que diz todos os dias: "Não há alma que você possa fazer feliz nesse mundo".

Chuva leve embora esses restos mortais sepultados em meu peito, essa mortalha de reminicências e lembranças que já não vivem mais. Estão mortas, decompostas e enterradas num passado feliz embora conturbado e cheio de ressentimentos. Leve consigo esses hábitos de uma vida passada, onde tudo era clandestino e proibido, deixe minha mente livre desses sentimentos prisioneiros que se apossam de mim a todo momento.

Se nenhum desses desejos forem atendidos, Chuva me leve embora assim como você leva aquilo que não serve enxurrada abaixo. Com suas águas puras lave a terra de todo o mal, de tudo aquilo que é inútil e perigoso e aproveite para levar-me junto, pois somos da mesma laia, todos não prestamos e não podemos nada oferecer. Não deixe que eu viva com essa praga de sentimentos e fantasmas que me rondam sem cessar, que eu permaneça nessa condição miserável, com essa culpa que por mais que eu tente não consiga me livrar. Somente peço que, se meus pedidos não forem atendidos, Chuva me deixe pelo menos descansar.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Eterna Mágoa - Augusto dos Anjos

O homem por sobre quem caiu a praga
Da tristeza do Mundo, o homem que é triste
Para todos os séculos existe
E nunca mais o seu pesar de apaga!

Não crê em nada, pois, nada há que traga
Consolo à Mágoa, a que só ele assiste.
Quer resistir, e quanto mais resiste
Mais se lhe aumenta e se lhe afunda a chaga.

Sabe que sofre, mas o que não sabe
E que essa mágoa infinda assim não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda

Tranpõe a vida do seu corpo inerme;
E quando esse homem se transforma em verme
É essa mágoa que o acompanha ainda!

sábado, 9 de agosto de 2008

Até onde vai a estupidez humana - part III - As aparências.

O culto que a sociedade moderna tem sobre a aparência é tanto que deixam de ver para somenter enxergar, e se contentam com isso. A única coisa que importa é o visível, que é passível de críticas, sendo assim mascaram cada vez mais aquilo que é superficial, subordinando a essência à mera aparência.

Pintar montanhas de verde para "parecerem" árvores, pintar as folhas das ávores de verde para "parecerem" ser mais verdes - perfeccionismo patético e descartável - escondendo o descaso dispensado à natureza não resolve problemas, apenas os tornam cada vez mais visíveis, o que denuncia uma sociedade completamente fútil e vaidosa. Nesse caso falamos da vaidade no seu sentido mais banal, e não àquela que é benéfica. Diante desses fatos vergonhosos vemos que o homem tem uma capacidade imensa de ser estúpido, corrompendo algo que sendo natural é livre desses artifícios tipicamente humanos. Mesmo se o verde das árvores fosse desbotado é belo pelo simples fato de existir, pois é independente de estética.

Não podemos deixar que nos tornemos seres plastificados, mascarados e fúteis. Não podemos nos esquecer que antes de mais nada temos caráter, que antes de olhar para um rostinho bonito tente perceber se não é um artifício para esconder os defeitos, pois a beleza fica completamente comprometida com um "nois vai", "a gente fomos", "seje feliz", "o pobrema é meu", e assim por diante. (Não pude conter meu senso de humor!!!). Sejamos mais sinceros, seja o que for não mascare, não mude. Não se deixe levar por essa febre que é a indústria da aparência.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Jornaleco Pretencioso

Estava eu indo trabalhar numa manhã ensolarada de uma segunda-feira, quando ao entrar no escritório me deparo com um jornalzinho jogado no chão, como quem passa a entrega por baixo da porta numa tentativa desesperada de enfiar sua palavra goela abaixo dos leitores. Ainda que esse fosse seu maior objetivo, pelo menos o fizesse com maior competência, sem as visíveis canalhices e sem a pobreza da linguagem. Atacam vulgarmente aqueles que lutam contra essa dinastia castradora, fazendo comentários depreciativos - ainda com a pobreza da linguagem que é imperdoável a qualquer pasquim - e denegrindo a imagem sem nenhum escrúpulo. Pode ser que a maioria das pessoas que ainda desperdiçam seu tempo lendo os artigos arrotados nesse "jornalecozinho" não percebam a covardia dos ataques, mas é real e visível.

Ainda há o mais ridículo, o que mais dá ânsia ao ler: a tentativa de endeusar indiscriminadamente e sem vergonha nenhuma uma pessoa totalmente sem escrúpulos. Querem tornar um lobo em cordeiro e fazer com que acreditemos nessa fantasia. Num trecho vemos nitidamente isso: "(...) a cidade deve ser do tamanho dos sonhos de seus cidadãos e que cada um pode ajudar para que esses sonhos tenham dimensão". O que será que essa pessoa pensa que é? O que será que está tentando fazer, com essas palavrinhas bonitas, falando de sonhos, falando em nome dos "cidadãos"? Antes de mais nada, deveria é lavar a boca antes de falar em nome de nós, cidadãos dessa cidadezinha moralmente e estruturalmente falida.

Esse jornalzinho tráz uma crítica em relação a um e-mail que vem sendo divulgado que trata de uma crítica à cidade. Eles simplesmente fazem uma censura a qualquer tipo de comentário negativo sobre a atual administração, como se não pudéssemos se quer questionar. Na íntegra da matéria o e-mail é depreciado, alegando que o município foi difamado por pessoas imaturas. O "sonhador" dá novamente o ar de sua graça na seguinte declaração: "Não é uma crítica contra a administração, e sim contra toda a nossa cidade, os nossos valores, a nossa cultura, (...)". Nossos valores? Nossa cultura? Porque é agora empregado o pronome possessivo nosso, quando antes esse desprendimento não é visto? Quem ele está querendo enganar com esse discursinho falido e sem base nehuma? Esse tipo de pessoa deve - a repetição é agora proposital - lavar a boca antes de se referir aos cidadãos dessa cidade, antes de colocar o meu nome e o seu nesse discurso.

Se realmente a cidade fosse "nossa" teríamos nossa opinião respeitada e poderíamos opinar nas reformas totalmente inúteis que estão sendo feitas em praças, nas praças que estão sendo construídas com o prolongamento das calçadas, o que tornará o trânsito num caos ainda maior. No momento em que nosso voto era de vital importância, éramos devidamente respeitados como cidadãos. Não seríamos tratados como bandidos, sendo surpreendidos por policiais, quando os mesmos deveriam desviar seu olhar dos inofensivos e voltar-se à raiz do problema, que evidentemente não fica no centro da cidade.

Até quando iremos nos deparar com esse tipo de censura e repressão, feita debaixo dos nossos olhos por um veículo cretino, que escancara a quem quiser ver a sua pretenção? Enfim, eu disse a quem quiser ver. Está então explicada a atual situação.

Obs: não tive o conhecimento desse e-mail.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

As aparências enganam... Ô jargão!

As aparências realmente enganam, surpreendem completamente. É como você ver um pedaço de algo parecido com chocolate, achar que é mesmo chocolate, porém ao dar a mordida perceber ser fezes. Comparação completamente nojenta, mas pertinente ao caso. Pessoas que ao nos dizerem coisas belas, pensamos então serem confiáveis, leais com o que dizem. Não, não são leais. Tudo o que fora dito não passou de um simples teatro.

Aproveitam-se do momento para enganar de maneira cretina o ouvinte. Será que não se lembram do que disseram? Será que a memória é tão curta a ponto de passar uma borracha e esquecer completamente das calúnias? Infelizmente, lembrando ou não, os acontecidos surgem como surge a borboleta entre as flores, como surge a nuvem, como surge a vontade irrefreável de defecar.

Pelo menos se as pessoas fossem sinceras e ao terem o primeiro contato e perceberem a injúria que cometeram, estivessem dispostos - doa a quem doer - a relatar sobre a primeira impressão, e logicamente pedirem desculpas. Relatar sobre o que fora injustamente dito sobre quem quer que seja, pois quem fala a verdade não merece nenhum castigo - a pessoa que vos fala nem sempre diz a verdade, mas como já está pagando por isso, acho que não é de todo mal dizer a expressão anterior.

Não há a menor necessidade de "teatrear", de atuar. Mesmo que não fosse isso, antes fosse dito o que antes disse, agora não há mais jeito. As fezes já se foram atiradas em um grande ventilador e voaram por tudo que é canto. Para limpar será difícil - não impossível - mas seria muito mais bonito se os esclarecimentos fossem devidamente feitos antes, num tempo anteriormente antes deste; num dia atrás, mês, ano. Enfim, agora está tudo já melecado.