sexta-feira, 18 de abril de 2008

Vestibular


Imaginem comigo: Nas escolas, tanto municipais quanto estaduais, quantos alunos existem? Não é um número pequeno, há colégios em que as salas ficam abarrotas de alunos. E mesmo assim, todos estudam - ainda que, pelo fato da lotação das salas, tudo vire uma imensa bagunça - todos tem seu lugar garantido e terminam o ensino médio.

Para entrar em qualquer universidade - falemos aqui somente de ensino público - você estuda, todo o seu ensino médio aquela ladainha, com a desculpa de que você precisa saber para passar no vestibular. E por qual razão há vagas para todos no ensino médio, e nas universidades não? Por que temos que passar por um exame, se nos colégios há o mesmo número de alunos, e esse mesmo número poderia tranqüilamente ser acomodado nas carteiras de uma universidade qualquer?

Passando por uma análise, o vestibular existe justamente para que seja imposto a nós um conhecimento totalmente oco, sem a preocupação com o que temos realmente que saber, sem a preocupação com o que pensamos. Passamos sete anos da nossa vida, sentados em uma carteira e quase sempre tendo que nos preocupar mais com notas do que com o conteúdo propriamente dito. O nosso conteúdo. E se analisarmos, novamente, será que querem que tenhamos conteúdo?

Não menosprezo os professores, não menosprezo o que me foi ensinado - o que tentaram ensinar, no caso - mas o que realmente questiono é a negligência do estado para com a educação, para com a formação dos alunos, embora seja isso mesmo o que eles querem.

terça-feira, 15 de abril de 2008

I am an Outsider!


Outsider? Sim, é isso mesmo. Não se importar com o que os outros dizem, não deixar-se influenciar sobre as tendências - tanto de moda quanto qualquer outras dessas tentativas de uniformizar as massas.

Outsider? É isso mesmo, novamente. Pode ser um sinônimo de individualismo, sim pode ser, mas na verdade caracterizam as pessoas que vivem fora do mundo uniformizado e medíocre que a maioria vive sem reclamar. Partindo agora de uma opinião particular, os outsiders são pessoas que tem uma opinião formada e não se preocupam com o resto.

Posso estar equivocada sobre minha definição precoce sobre o termo, porém é assim que vejo o universo outsider. Os outros, chamamos aqui então de insiders, são o resto propriamente dito. São os que gostam de qualquer coisa que lhes são apresentados sem fazer nenhuma observação. São os facilmente adestrados pelo sistema que sempre será, mesmo que implícito, manipulador das opiniões para que as pessoas não possam pensar sozinhas.

Estou depreciando aqueles que não se encaixam como outsiders? Sim. Qual a razão? Simplesmente pelo fato de que nós, brasileiros, não podemos mais suportar pessoas desse tipo, pois são estas bestas acéfalas que empurram nosso país ainda mais para o buraco. São esses animais adestrados que com qualquer promessa barata vendem seu voto. Ou ainda, que com qualquer discurso mal feito são facilmente manipulados.

Tudo isso que disse acima poderia ser real, mas não será, nunca será. Ainda haverão milhares de indivíduos chorando com a novela das oito, vendendo seu voto para políticos incapazes, e assim caminha, sempre mais para o fundo do poço, a humanidade.

domingo, 13 de abril de 2008

Ao meu amor.


Amor amigo que me conforta,
Amor que consola.
Doce companhia acalentando meus dias,
Curando minhas feridas,
Salvando minha alma da solidão.

Vem amor comigo,
Dançar ao vento, beijar-me a face
Lentamente como um sonho.
Vem amor fugir desse mundo,
À procura de um refúgio.

Não me deixes amor,
Nem na vida, nem na morte.
Não deixas amor que a distância
Nos coloque barreiras.
Não permitas amor que eu não veja seus olhos.

Amor vou contigo,
Para qualquer lugar, seja qual for a viagem
Vou contigo.
Por ti percorro toda distância,
Contigo caminho sobre a estrada mais sórdida.

Brennah Enolah

quinta-feira, 10 de abril de 2008

O Último Gole


- O que vocês querem? - perguntou assustado olhando ao seu redor - digam logo o que querem e vão embora!

Estava sozinho em sua casa, sentado no sofá e assistindo a alguma bobagem na televisão. Fora surpreendido. Não sabia o que aquelas aparições tão repentinas pudessem querer dele. Mas ainda assim insistiam em atormentá-lo.

- Saiam da minha casa. Aqui não há nada que vocês pudessem querer.

Sua voz ecoava como um trovão na sala. Não havia respostas, não havia nada. Era como se uma multidão olhasse para ele com uma cobrança muda, sem acusações diretas, mas com uma presença que por si só cobrava.

Levantou-se e foi até a cozinha. Atrás vieram as pessoas, como se fossem sombras. Já não lhe incomodavam mais, não iam embora. Abriu a geladeira e viu uma garrafa de vodka, tão solitária quanto ele. Há três dias atrás fora parar no hospital: coma alcoólico. Vivia bebendo pelas ruas, sempre com a mesma solidão povoada das mesmas pessoas que ali estavam. Não podia mais beber, mas era como se fosse uma obsessão. Prometera a si mesmo que não beberia mais, mesmo porque fora proibido de beber se quer uma gota. Seu fígado já não suportaria mais um gole. A sua desregrada vida de bêbado solitário agora teria que ter um fim, mas de certa forma era novamente induzido a saborear mais um gole.

Todas aquelas pessoas a sua volta, olhando-o em um silêncio que podia dizer mil palavras, com os olhos fixados nele e na garrafa em sua mão magra. Começou a tremer, a cambalear antes mesmo de ter bebido. A embriaguez tornou-se já um remédio infalível, que ele agora não podia deixar de tomar. O insuportável barulho que aquele silêncio causava fez com que abrisse a garrafa com o líquido milagroso e se deleitasse de prazer. Só o cheiro do álcool já fazia parar o tremor de suas mãos errantes. O silêncio ensurdecedor não cessava e enquanto aqueles olhos doentios o devoravam, ele simplesmente tragava da vodka antes esquecida.

A garrafa já quase no fim, e ele no chão, agonizando. Realmente esse momento já não tornaria a acontecer. Todas aquelas pessoas etéreas, silenciosamente ruidosas já estavam mais calmas. Ele, esticado no chão como um tapete velho e rasgado. Já não havia mais o que fazer ali, somente carregar o que sobrou daquela alma errante e bêbada num cortejo acompanhado de um murmúrio cadente. E o corpo deixado no canto da sala suja e desarrumada, com a garrafa vazia ao seu lado e com o cheiro característico da causa da sua morte.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Solução Simples


O tráfico de drogas em nosso país é algo que preocupa e nos deixa ameaçado. Todos os dias saímos de casa com um sentimento de medo e já certo que deixou um testamento com seus beneficiários e que não deixou de se despedir de ninguém. Não sabemos o que nos acontecerá, o que poderemos sofrer; a violência e o crime virou uma constante em nossas vidas. Já convivemos com ela de uma maneira tão natural que deixamos de nos preocupar, de pelo menos pensar no que deveria ser feito para acabar com isso. Para que passem de existir traficantes, crime organizado e que o frisson todo que gira em torno das drogas acabe.

Na televisão passam propagandas com o mesmo slogan: "Vida sim, drogas não", e os pais sempre preocupados em alertar seus filhos sobre os males das drogas. Claro, não que seja o contrário, mas será que esse é o caminho? Na verdade estamos educando nossos jovens, e ainda toda a sociedade baseado no medo. "Se você usar drogas, poderá ser preso, vai virar mais um viciado, poderá morrer..." - ainda que tudo o que foi dito seja verdade, o que está sendo feito nada mais é do que estar colocando condições para que o jovem não use drogas. Mas quando o mesmo sair para uma festa qualquer e alguém lhe oferecer algo, não hesitará em experimentar. Quando proibimos alguém - no caso toda um sociedade - de fazer algo, na maioria das vezes o proibido se torna desejado, ainda que inconscientemente. Se legalizarmos, colocarmos todas as drogas ilícitas para vender em farmácias, o que antes era desejado se tornará comum assim como o cigarro que é vendido em qualquer boteco e para qualquer um - mesmo você sendo menor de idade. E ainda, temos que pensar que, todo indivíduo dono de suas faculdades mentais, capaz de elaborar opiniões, pode decidir o que deve fazer com sua vida. Se ele quer usar drogas, use. A vida é sua, faça dela o que quiser. Você é o responsável por suas vitórias assim como é responsável por suas desgraças.

Deixando as drogas serem vendidas como as outras drogas, que não deixam de serem perigosas, tudo passará a ser tratado como uma questão de escolha, e o tráfico não terá razão para existir, as favelas - que são onde o crime alimentado pelo tráfico na maioria das vezes se concentra - deixarão de ser tratadas como um lugar perigoso, pois não haverá mais razão de existir o tráfico. Agora o tráfico será feito, pertinho da sua casa, na farmácia mais próxima.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Lá se vão as flores e as florestas


Mas que lindas flores são estas?

Que lindas flores são estas?

Que lindas flores estas?

Que lindas florestas!

Que florestas?!

Brennah Enolah

terça-feira, 25 de março de 2008

Declarações de um devaneio; conclusões de um despertar


Eu adoro o narcisismo.
Olhar para minha face
Descorada, acabada,
Contemplando minha decadência.


Eu adoro a fantasia,
Adoro o sonho.
A realidade castiga minha alma,
Assim como eu também a castigo.

Eu adoro a mediocridade,
De sentir por um momento ser superior.
Adoro as pessoas
E a necessidade de se distanciarem

Eventualmente adoro a mim mesma
De uma maneira egoísta.
Adoro a solidão, o vazio existencial.
O quarto escuro da minha alma.

Ao acordar de meus devaneios
Sinto meu coração apertado,
Com meus sentimentos esmagados,
De uma coração que sofre sem razão.

Minhas divagações são meu alento,
Minha fuga desse mundo indolente.
A realidade é minha carrasca,
Recordando que vivo nesse mundo torpe e doente.

Brennah Enolah