domingo, 13 de abril de 2008

Ao meu amor.


Amor amigo que me conforta,
Amor que consola.
Doce companhia acalentando meus dias,
Curando minhas feridas,
Salvando minha alma da solidão.

Vem amor comigo,
Dançar ao vento, beijar-me a face
Lentamente como um sonho.
Vem amor fugir desse mundo,
À procura de um refúgio.

Não me deixes amor,
Nem na vida, nem na morte.
Não deixas amor que a distância
Nos coloque barreiras.
Não permitas amor que eu não veja seus olhos.

Amor vou contigo,
Para qualquer lugar, seja qual for a viagem
Vou contigo.
Por ti percorro toda distância,
Contigo caminho sobre a estrada mais sórdida.

Brennah Enolah

quinta-feira, 10 de abril de 2008

O Último Gole


- O que vocês querem? - perguntou assustado olhando ao seu redor - digam logo o que querem e vão embora!

Estava sozinho em sua casa, sentado no sofá e assistindo a alguma bobagem na televisão. Fora surpreendido. Não sabia o que aquelas aparições tão repentinas pudessem querer dele. Mas ainda assim insistiam em atormentá-lo.

- Saiam da minha casa. Aqui não há nada que vocês pudessem querer.

Sua voz ecoava como um trovão na sala. Não havia respostas, não havia nada. Era como se uma multidão olhasse para ele com uma cobrança muda, sem acusações diretas, mas com uma presença que por si só cobrava.

Levantou-se e foi até a cozinha. Atrás vieram as pessoas, como se fossem sombras. Já não lhe incomodavam mais, não iam embora. Abriu a geladeira e viu uma garrafa de vodka, tão solitária quanto ele. Há três dias atrás fora parar no hospital: coma alcoólico. Vivia bebendo pelas ruas, sempre com a mesma solidão povoada das mesmas pessoas que ali estavam. Não podia mais beber, mas era como se fosse uma obsessão. Prometera a si mesmo que não beberia mais, mesmo porque fora proibido de beber se quer uma gota. Seu fígado já não suportaria mais um gole. A sua desregrada vida de bêbado solitário agora teria que ter um fim, mas de certa forma era novamente induzido a saborear mais um gole.

Todas aquelas pessoas a sua volta, olhando-o em um silêncio que podia dizer mil palavras, com os olhos fixados nele e na garrafa em sua mão magra. Começou a tremer, a cambalear antes mesmo de ter bebido. A embriaguez tornou-se já um remédio infalível, que ele agora não podia deixar de tomar. O insuportável barulho que aquele silêncio causava fez com que abrisse a garrafa com o líquido milagroso e se deleitasse de prazer. Só o cheiro do álcool já fazia parar o tremor de suas mãos errantes. O silêncio ensurdecedor não cessava e enquanto aqueles olhos doentios o devoravam, ele simplesmente tragava da vodka antes esquecida.

A garrafa já quase no fim, e ele no chão, agonizando. Realmente esse momento já não tornaria a acontecer. Todas aquelas pessoas etéreas, silenciosamente ruidosas já estavam mais calmas. Ele, esticado no chão como um tapete velho e rasgado. Já não havia mais o que fazer ali, somente carregar o que sobrou daquela alma errante e bêbada num cortejo acompanhado de um murmúrio cadente. E o corpo deixado no canto da sala suja e desarrumada, com a garrafa vazia ao seu lado e com o cheiro característico da causa da sua morte.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Solução Simples


O tráfico de drogas em nosso país é algo que preocupa e nos deixa ameaçado. Todos os dias saímos de casa com um sentimento de medo e já certo que deixou um testamento com seus beneficiários e que não deixou de se despedir de ninguém. Não sabemos o que nos acontecerá, o que poderemos sofrer; a violência e o crime virou uma constante em nossas vidas. Já convivemos com ela de uma maneira tão natural que deixamos de nos preocupar, de pelo menos pensar no que deveria ser feito para acabar com isso. Para que passem de existir traficantes, crime organizado e que o frisson todo que gira em torno das drogas acabe.

Na televisão passam propagandas com o mesmo slogan: "Vida sim, drogas não", e os pais sempre preocupados em alertar seus filhos sobre os males das drogas. Claro, não que seja o contrário, mas será que esse é o caminho? Na verdade estamos educando nossos jovens, e ainda toda a sociedade baseado no medo. "Se você usar drogas, poderá ser preso, vai virar mais um viciado, poderá morrer..." - ainda que tudo o que foi dito seja verdade, o que está sendo feito nada mais é do que estar colocando condições para que o jovem não use drogas. Mas quando o mesmo sair para uma festa qualquer e alguém lhe oferecer algo, não hesitará em experimentar. Quando proibimos alguém - no caso toda um sociedade - de fazer algo, na maioria das vezes o proibido se torna desejado, ainda que inconscientemente. Se legalizarmos, colocarmos todas as drogas ilícitas para vender em farmácias, o que antes era desejado se tornará comum assim como o cigarro que é vendido em qualquer boteco e para qualquer um - mesmo você sendo menor de idade. E ainda, temos que pensar que, todo indivíduo dono de suas faculdades mentais, capaz de elaborar opiniões, pode decidir o que deve fazer com sua vida. Se ele quer usar drogas, use. A vida é sua, faça dela o que quiser. Você é o responsável por suas vitórias assim como é responsável por suas desgraças.

Deixando as drogas serem vendidas como as outras drogas, que não deixam de serem perigosas, tudo passará a ser tratado como uma questão de escolha, e o tráfico não terá razão para existir, as favelas - que são onde o crime alimentado pelo tráfico na maioria das vezes se concentra - deixarão de ser tratadas como um lugar perigoso, pois não haverá mais razão de existir o tráfico. Agora o tráfico será feito, pertinho da sua casa, na farmácia mais próxima.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Lá se vão as flores e as florestas


Mas que lindas flores são estas?

Que lindas flores são estas?

Que lindas flores estas?

Que lindas florestas!

Que florestas?!

Brennah Enolah

terça-feira, 25 de março de 2008

Declarações de um devaneio; conclusões de um despertar


Eu adoro o narcisismo.
Olhar para minha face
Descorada, acabada,
Contemplando minha decadência.


Eu adoro a fantasia,
Adoro o sonho.
A realidade castiga minha alma,
Assim como eu também a castigo.

Eu adoro a mediocridade,
De sentir por um momento ser superior.
Adoro as pessoas
E a necessidade de se distanciarem

Eventualmente adoro a mim mesma
De uma maneira egoísta.
Adoro a solidão, o vazio existencial.
O quarto escuro da minha alma.

Ao acordar de meus devaneios
Sinto meu coração apertado,
Com meus sentimentos esmagados,
De uma coração que sofre sem razão.

Minhas divagações são meu alento,
Minha fuga desse mundo indolente.
A realidade é minha carrasca,
Recordando que vivo nesse mundo torpe e doente.

Brennah Enolah

sexta-feira, 21 de março de 2008

Liberte-se


Quando alguém diz:"Essa roupa não está legal...", eu normalmente não dou importância. Quando o mesmo alguém diz novamente que essa roupa não está legal, e ainda diz que estou ridícula, também não dou importância. Deveria? Se deveria ou não dar importância, não sei. A única coisa que realmente sei é que não me importo com a opinião alheia, desde que esta esteja de acordo com a minha, em se tratando de roupa, é claro.

Quando alguém diz - pode ser o mesmo alguém, se preferir - que a música que escuto é um lixo, dependendo do alguém, mando a pessoa para um lugar não muito agradável. E qual a razão de eu fazer isso? É simples! Para mim basta a minha opinião. Posso ser chamada de teimosa, de desagradável, enfim, posso ser odiada, mas não abro mão da minha personalidade.

Resumindo, não sou eu quem está errada na história, mas sim o alguém. Esse alguém quando vê uma consultora de moda no fantástico, corre para aprender a se vestir bem; dá importância ao que uma mulher desconhecida fala sobre moda, sem se importar com o que gosta de vestir. Se a consultora diz que está na moda usar meia verde abacate pendurada na orelha, combinando com uma blusa de tricô abóbora, e ainda usar aqueles termos para justificar a aberração, como: "Isso torna o look desconectado", no dia seguinte acabam-se os estoques de meias verde abacates e blusas de tricô abóbora. E ninguém tem coragem de dizer, mesmo que baixinho, que isso é ridículo.

Quem quer que esteja lendo isso - eu espero que tenha alguma alma caridosa - pode achar que eu estou fazendo uma autopropaganda, mas não. Estou sim, clamando para que as pessoas sejam menos dependentes da opinião alheia e passem a andar com as próprias pernas. O fantástico é exibido somente aos domingos, então no decorrer da semana as pessoas não sairão de casa. São inseguras ao ponto de comprar o que lhes são sugeridos. Não têm vontade própria, criatividade de poder vestir-se da maneira com que desejar.

Mas fugindo um pouco do assunto moda, falemos então de música. Gosto - graças à Grande Mãe - não se discute. Existem mesmo muitos estilos de música, e não citarei nenhum, pois me limitarei ao Metal nosso de cada dia. Porém existem certos estilos que surgem na vida da pessoa justamente quando esta está na faculdade. "Oh, como a cultura demorou para entrar em minha vida... como pude viver sem o Caetano, Gil, sem os barezinhos com a rapaziada do curso de biblioteconomia. Isso sim é vida: beber vinho tinto, ouvir Mpb ..."

Isso definitivamente é horrendo. Barezinhos, mpb, vinho tinto - nada contra o vinho - o que fizeram com você rapaz! Realmente parece que quando começam a freqüentar a faculdade, o vírus da cultura elitizada invade o organismo saudável de um estudante. E qual a razão? "É chic".

Claro, a generalização aqui é feita somente para que o trabalho de redigir não seja penoso. Você aí, que está passeando por esse blog empoeirado, que se encaixa no perfil acima descrito, dou-lhe um conselho: Caro colega, liberte-se.

quarta-feira, 19 de março de 2008

O Primeiro Dia de Aula - do Cursinho


Como é deprimente os primeiros dias de aula. Você esperando que seja algo diferente, mas só encontra pessoas medíocres. Não que você seja superior, mas por pior que possa parecer, você acaba encontrando pessoas piores.


Não estou falando dos primeiros dias de aula do colégio, aqueles que você espera com tanta ansiedade, esta que acaba logo no segundo dia. Estou falando do primeiro dia de aula do cursinho. Quando você já acabou o ensino médio e tem que apelar para o cursinho. Intuitivamente, você pensa que as pessoas que vão ao cursinho são mais responsáveis, mais adultas – porque quem faz cursinho, conseqüentemente pensa em prestar um vestibular – porém o que encontra são pseudo-estudantes.


Os pseudo-estudantes estão rodeando-o com suas conversas vazias em plena aula de matemática – justo a matéria que você menos gosta, e por isso mesmo tem que prestar o máximo de atenção – dão risadas sobre o que aconteceu na novela das oito, discutem efusivamente sobre o Big Brother, e ainda falam sobre calças, sapatos e outras coisas que não cabiam naquela ocasião.

Mas o pior ainda está por vir. O trunfo do pseudo-estudante está nas críticas que faz ao professor – na aula dele – assim pensando que com essas críticas que, novamente não cabem, possam diminuir o professor em plena aula. Às vezes funciona, mas infelizmente você precisa da aula para poder ter uma noção, ainda que basiquíssima, sobre a matéria, porém tem que dividir a atenção dos seus ouvidos com a aula propriamente dita, e com as críticas dos Jabores ao seu redor.


Aí você se pergunta: “Porque eu?”. É isso mesmo, você foi o premiado. Você que detesta estudar, mas o faz porque precisa; você que tem plena consciência de que está ali por livre e espontânea pressão de você mesmo – pelo fato de não ter passado no vestibular passado e prometido, num daqueles balanços de fim de ano, de que estudaria de verdade – você que preferiria estar lendo Júlio Verne foi o premiado com um pacote fechado de bestas raivosas ao seu redor. Sem direito a devolução e troca.


A vida é cruel amigo, mas com essas crueldades você acaba por tirar proveito disso. Então você tem uma idéia, aliás, uma boa idéia. Liga o computador, abre o Word e começa a escrever sobre o seu primeiro dia de aula. Do cursinho.

Brennah Enolah